DEPRESSÃO: O RESFRIADO DA MENTE
 

Mais comum do que se pensa

Hoje em dia é comum ouvir as pessoas dizerem que estão deprimidas. Você liga para alguém convidando para sair, para jantar fora, ou ir a uma festa, e a voz lá do outro lado da linha lhe responde: 

"- Ah, eu estou tão sem vontade... Será que vai ser bom? ... Não sei... Acho que não vou gostar... " 

Depois de algumas tentativas sem êxito, você desiste, e reflete consigo mesmo: 

"- Que pena! Fulano deve estar deprimido!” 

Pois é. A depressão é um dos grandes males da nossa vida moderna e todos os estudos mostram que o número de casos vem aumentando. Estima-se ainda que muitos casos desta doença não cheguem sequer ao conhecimento dos médicos porque muitas das pessoas que apresentam os sintomas de depressão não os relacionam com doença. 
 

Vivemos num mundo confuso e difícil.

A época que estamos atravessando agora é uma época de muitas transformações, e isso muitas vezes nos deixa inseguros e amedrontados, vendo o mundo que conhecemos se modificar a cada dia e sem saber direito como é esse mundo novo que vai surgindo das cinzas e escombros do mundo velho. 

Tudo isso nos leva, em um ou outro momento das nossas vidas, a experimentarmos os sinais e sintomas deste mal, que por ser tão comum, é chamada por alguns de “resfriado da mente”. 

Mas quais são os sintomas da depressão? São variados, e muitas vezes não ocorrem todos ao mesmo tempo. Um dos principais sintomas é a perda do interesse ou prazer pelas diversões ou pelos passatempos que a pessoa normalmente gosta. 

De repente as festas ficam sem graça, todos os filmes do cinema são chatos, o barzinho do final de semana se torna barulhento e desagradável. Os amigos que antes eram tão legais estão muito antipáticos, e todos eles parecem alegres demais, sem que o deprimido possa ver qualquer motivo para tal contentamento. 
 

Sono, apetite, energia

Quem está deprimido também não dorme direito. Ou dorme demais, ou tem insônia. Geralmente a pessoa se sente mal e indisposta quando acorda de manhã e o apetite também se altera. Uns ficam sem apetite, e perdem o interesse pela comida. 

Outros não. Comem demais, e terminam por engordar. Aí se estabelece um ciclo vicioso: como estão gordos, começam a se achar feios e deselegantes, ficam cada vez mais deprimidos e comem mais, ficando mais gordos, e mais deprimidos, e assim por diante. 

O deprimido também sente como se toda a sua energia física tivesse sido sugada. É uma moleza, um acabamento, uma falta de coragem... A pessoa fica cansada até de falar. 

Outro sintoma muito importante são os sentimentos de inutilidade ou culpa, aquela sensação de “eu não presto para nada, a minha vida não tem sentido, a culpa é minha, sei que sou culpado”. Finalmente, os pensamentos mórbidos, o medo de adoecer, e de morrer. 
 

É sempre assim?

É verdade que não é todo mundo que apresenta esse quadro assim, tão negro. E a depressão tem vários graus, podendo ser uma depressão leve e passageira até aquelas grandes depressões, que mergulham o indivíduo na “noite negra da alma”, como diria o poeta. 

Resumindo: se há mais de um mês você não sente alegria de viver, está apático e sem energia, é bom ficar atento pois você pode estar sofrendo de depressão. 

Mas nem tudo está perdido. A depressão é uma das doenças mais bem estudadas, e são oferecidas boas possibilidades de cura: drogas químicas, diversos tipos de psicoterapias e um sem número de técnicas da medicina alternativa. Você é quem escolhe. 

Mas uma coisa é certa. Qualquer tipo de tratamento da depressão passa por duas palavras mágicas: ação e atenção. 
 

Ação e atenção

Por ação, quero dizer exercício físico. Está provado que o exercício físico persistente reduz a depressão por aumentar a produção de substâncias cerebrais chamadas endorfinas, cuja ação é estimulante, dando às pessoas um verdadeiro barato natural. 

É por isso que quem faz exercícios frequentemente se sente tão bem, e quanto mais faz, mais quer fazer. Os melhores exercícios são os exercícios aeróbicos, e que todo mundo pode fazer: caminhar, andar de bicicleta, nadar e dançar. 

Quanto à atenção, acredito que para compreender nossos sentimentos, precisamos prestar atenção a eles, aprender a encará-los de frente. Por que estou deprimido? Para onde foi minha alegria de viver? O que existe na raiz da minha apatia? E a pergunta mais importante: Do que tenho medo? 

Somente uma investigação clara e sincera das nossas emoções nos tornará seres humanos equilibrados, em harmonia conosco e com o Universo, distante dos sentimentos negativos e brilhando, como estrelas que somos, no céu da existência. 

É só lembrar de Caetano Veloso, que nos indicou a melhor terapia contra a depressão: 

“Deixe eu dançar, pro meu corpo ficar odara, minha cuca ficar odara...” 


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