A MENSAGEM DAS ESTRELAS
Horóscopo no café
da manhã
Todo os dias, no café da manhã,
milhões de pessoas abrem seus jornais na seção do
horóscopo. E as pesquisas mostram que mais de 60% acreditam no que
lêem. A maioria das pessoas conhece os doze signos, embora não
saibam a ordem que eles ocupam no Zodíaco.
Muitos sabem que, se forem do signo
de Áries, fazem um bom casamento com Libra; mas também não
conseguem explicar porque se casaram com um canceriano e vivem tão
bem.
Todos acham chique e alinhado mandar
fazer o mapa astral, que muitas vezes emolduram e pregam na parede, embora
não façam o mesmo com o seu igualmente revelador raio X de
tórax.
E todos querem saber o futuro. Todos
querem saber o que vai acontecer amanhã, e pedem ao praticante da
Arte que olhe no mapa e diga se vão fazer uma viagem no próximo
ano, se o marido tem outra mulher ou se vão conseguir juntar dinheiro
para comprar aquele apartamento.
Mas será que a Astrologia
é somente isso?
Ora, para entender exatamente o que
é a Astrologia e o que ela significa no contexto da evolução
do pensamento humano, é preciso que a gente se esqueça, ou
pelo menos coloque de lado por um tempo algumas coisas que todos sabemos
que são verdades, mas que são produtos de uma visão
moderna do Universo.
Vamos esquecer que a Terrra gira
em torno do Sol e que todos, o Sol e seu séquito de planetas, caminham
juntos em direção ao um ponto qualquer do Universo.
Estamos no centro do Universo
Vamos desligar a televisão
e sair de casa, ficando em um lugar de onde possamos olhar um bom pedaço
de céu, de preferência num lugar alto e sem muita iluminação
artificial. Vamos imaginar agora que somos o centro desse Universo. Que
estamos parados no meio dele, e que não sabemos direito como ele
é.
O que temos é o que tinha
o homem na Antiguidade: a terra sob nossos pés, campos, florestas,
montanhas, lagos, rios e oceanos. Acima, a abóbada celeste. A leste,
todas as manhãs, o Sol se levanta e segue sua trajetória
ao longo da esfera azul, declinando à tarde para o oeste, onde finalmente
desaparece no horizonte.
Para onde ele vai? Não sabemos.
Mergulha em algum abismo desconhecido e profundo, deixando a terra envolta
na escuridão.
Mas antes que possamos ficar preocupados
ou assustados com esse desaparecimento, vão surgindo outros luminares,
milhares, milhões deles: as estrelas, destacando seu brilho por
sobre o céu escuro.
Daí a pouco, do lado oposto
ao qual desapareceu o Sol, outro caminhante celeste aparece: a Lua, que
segue a mesma trajetória do Sol.
Notamos também outros passageiros,
outros “peregrinos” dessa jornada. Parecem ser também estrelas,
mas não estão tão imóveis quanto aquelas. Seguem
também uma trajetória específica.
Começamos a notar também
que o ponto onde o Sol se põe se desloca um pouquinho para a direita
e para o Norte todos os dias até que esse deslocamento vai ficando
mais lento, e finalmente pára, chegando ao limite da oscilação.
A ocasião em que isso acontece chama-se de solstício,
que quer dizer “o sol pára”.
Daí, o Sol começa a
voltar em sentido contrário, para a esquerda e para o Sul, cruzando
o Equador celeste, até que pára novamente: é o outro
solstício. E quando o Sol está no meio dessa sua oscilação
pendular, se pondo exatamente em cima do Equador celeste, estamos no equinócio.
Observando o nascer do Sol, em vez
do poente, veremos a mesma progressão, exceto que o Norte estará.
à esquerda e o Sul à direita.
Outra coisa que começamos
a observar é que, logo após o Sol se por, aparece sempre
sobre aquela região o mesmo grupo de estrelas. Depois de algumas
semanas de observação, esse grupo de estrelas terá
desaparecido e será substituído por outro. No nascente, os
grupos estelares que surgem vão se elevando a cada dia, cedendo
o lugar para novos substitutos que não param de surgir.
A Lua também percorre um caminho
semelhante ao do Sol, embora mais rápido e com características
próprias, já que o seu formato muda com o passar dos dias:
de uma fina linha curva, semelhante a uma foice, ela vai enchendo, aumentando,
assume uma forma oval até que fica totalmente circular e "cheia".
Os planetas, ou "peregrinos", como
os chamavam os gregos, também se movem ao longo do céu. O
vermelho Marte, o luminoso Vênus, o rápido Mercúrio,
e os mais lentos Júpiter e Saturno, cada um deles possui seu caminho
próprio.
Geralmente se deslocam pelo céu
em velocidades variáveis, que parece diminuir em certas épocas
do ano, quando param e continuam em sentido contrário, num movimento
retrógrado. Depois param novamente, e voltam a se deslocar para
diante outra vez.
O Zodíaco
Observando o corredor brilhante salpicado
de estrelas que o Sol, a Lua e os planetas percorrem em lapsos de tempo
variáveis, começamos a notar que os grupamentos de estrelas
que demarcam essa faixa são sempre os mesmos, mas se sucedem ao
longo dos meses, como se estivessem em um carrossel, um circo de cavalinhos.
Notamos também que alguns
desses grupamentos estelares se parecem com animais: um Touro, um Leão,
um Carneiro, um Escorpião... Outros se parecem com pessoas: uma
Virgem, um Aguadeiro...
Os antigos astrônomos/astrólogos
da Antiguidade chamaram esse caminho estrelado de zodíaco, uma palavra
que significa "círculo de animais", e o dividiram em 12 partes iguais,
denominadas casas, cada uma medindo 30 graus e relacionada com a constelação
que lhe dá o nome. O ponto zero dessa divisão marca o equinócio
da primavera no hemisfério Norte, - que é a estação
do ano onde as plantas começam a crescer - correspondendo ao ponto
zero do signo de Áries.
Quando essa convenção
foi estabelecida, há aproximadamente quatro mil anos, os signos
e as constelações coincidiam. Agora, por causa da precessão
dos equinócios (deslocamento da posição dos equinócios
ao longo da eclíptica) não há mais essa coincidência.
Mas apesar de terem o mesmo nome,
signos e constelações
são coisas diferentes. A constelação
é um grupamento de estrelas e se move no céu, apesar desse
movimento ser muito lento. O signo é um arquétipo, um arcabouço
simbólico de tipos e qualidades, uma convenção.
O descobrimento de novas constelações
ou o fato de certas constelações como Virgem, ocuparem um
espaço muito maior do que a pequena constelação de
Libra, não tem a menor importância do ponto de vista astrológico,
e não servem de argumento para invalidar as interpretações
feitas. A Astrologia é uma prática simbólica e como
tal deve ser considerada, não havendo necessidade de maiores discussões
sobre isso. Ainda como prática simbólica, elabora uma leitura
sobre a relação Céu/Terra tendo como fulcro o indivíduo.
Nesse sentido é que deve ser
compreendida como antropocêntrica, e não heliocêntrica
ou geocêntrica.
Assim é em cima como
é embaixo: o horóscopo
Dentro de uma maneira holística
e integral de compreender o Universo, partilhada pelas civilizações
da Antiguidade, a Astrologia proporcionava uma forma de esclarecer as relações
com os poderes da natureza, fornecendo um guia para a ação
moral, criando ordem para um futuro geralmente incerto e amedrontador.
Morada privilegiada do mito, a visão
da trajetória dos planetas levou o homem a emprestar-lhes elementos
e atributos divinos, associando-os ao destino dos seres humanos.
A Religião, a Arte, a Mitologia,
a Ciência: tudo isso nasceu a partir da contemplação
do firmamento que astrônomos, astrólogos, matemáticos,
filósofos, sacerdotes e sábios realizavam, nas longas noites
da Antiguidade, do alto dos seus zigurates, pirâmides, templos, torres
e observatórios.
A Astrologia que chegou até
nós veio através do mundo caldeu da Mesopotâmia, em
cuja raiz está a crença de que os destinos do homem são
resultados de interações complexas desses espíritos
celestes.
A Astrologia na Babilônia
tinha como principal preocupação os destinos do Estado, da
Nação. Seus astrólogos estudavam o cosmos em busca
de presságios que lhes desse indicações sobre guerras,
sucessão real, política, agricultura e ameaças do
ambiente, como terremotos, enchentes ou secas.
Já os gregos, inventores da
democracia, acreditavam que cada pessoa deveria ter a possibilidade de
ver o seu próprio destino individual analisado em função
dos corpos celestes. Por esse motivo é que, se devemos o zodíaco
aos babilônios, aos gregos devemos o horóscopo. A palavra
grega horóscopo significa "eu observo a hora" ou "eu olho o que
se eleva" .
O horóscopo, também
chamado mapa astral, mapa do céu, ou tema natal
de um indivíduo é, tecnicamente, um diagrama mostrando as
posições em que se encontravam os corpos celestes em relação
aos signos e às casas zodiacais na hora e local de nascimento dessa
pessoa.
Seu cálculo é feito
matematicamente, manualmente ou por meio de um computador, e sua interpretação
se prende à possibilidade de analisar os padrões gerais que
norteiam a vida das pessoas com base nesses aspectos. Nele, o astrólogo
lê a relação que o Universo estabelece com o indivíduo,
e essa leitura serve principalmente para dizer não o que o indivíduo
é, mas principalmente o que ele ainda não é: as suas
potencialidades.
Refere-se à possibilidade
de analisar os padrões gerais que norteiam a vida das pessoas com
base no exame dos corpos celestes a erguer-se no horizonte no momento do
nascimento daquela pessoa.
Através dessa análise,
usando o horóscopo como instrumento de auto-investigação
e autoconhecimento podemos começar a entender o que ocorre na nossa
vida, permitindo-nos compreender as forças que estão em jogo
no Universo, como essas forças se relacionam conosco e como podemos
usar o livre arbítrio para cumprir a missão que nos foi destinada
nesta existência.
Início
|